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Da Língua do “P” para “VC”

Da Língua do “P” para “VC”

Por Juninho Mancuso (*)

Recordo-me ainda quando adolescente de uma linguagem interessante, onde inseríramos o “p” antes das sílabas. Uma forma de comunicação codificada, que apenas os mais treinados conseguiam entender; mas tinha lógica e regra de aplicabilidade, claro que tinha. PTenPte PenPtenPder. Ainda existem outras variações, mas isso não vem ao caso. O que é relevante para falarmos essa semana é sobre a invasão desmedida de abreviações utilizadas em textos dentro e fora da internet ou de termos americanizados virando palavras nacionalizadas, e pior, conjugadas.

Em outras épocas, não muito além da inocência e não tão aquém da maturidade, utilizamos as famosas gírias para comunicação, entretanto era uma fase de descobertas e experiências que não impactavam no aprendizado e evolução, ao contrário do que vemos na atualidade; exageros de “vc”, “tb”, “xau”, “fmz”, ”plis”, ”cmg”; ou ainda, “upar”, ”printar”, ”backupear”, nos diversos trabalhos escolares, provas, e acreditem; até mesmo em currículos.

Onde adotar ou refutar essa utilização é uma dúvida muito comum, pois o indivíduo está conectado, antenado, plugado, sincronizado, e se não se cuidar, alienado; portanto o uso deve ser limitado aos espaços onde a conversa é informal, e que não se exigem as devidas regras gramaticais, como nas redes sociais e comunicadores instantâneos.
O “internetês” é uma linguagem nova e mais utilizada pelos adolescentes, que buscam comunicação dinâmica e, segundo estudiosos, existe vantagens no uso da nova escrita, como a comunicação rápida sem perder a essência da mensagem; no entanto o desvio gramatical implica em perda da identidade da língua-padrão e em hipótese alguma deve ser adota para a produção de texto, pois o aprendizado também dependa da memória visual e isso pode prejudicar a formação do individuo no contexto social.

Até concordo que evoluir é transcender o desconhecido, desbravar novos caminhos, reciclar ideias, quebrar paradigmas, reinventar a história. Mas ignorar a língua pátria, utilizando como argumento, o fato de que são de uma nova geração, que criaram uma nova tendência, que utilizam uma linguagem informal, é inadmissível. Se o ambiente dessas expressões estivesse restrito somente as conversas em bate-papos, seria aceitável e, optativamente, poderíamos utilizá-las. Mas na escrita formal, em dissertações, provas, cadastros (mesmo que online), explanações, enfim, para expressar-se; não recomendasse o uso, muito menos o hábito.

“ PBem PvinPdos Pa PgePraPção PY”

 

(*) é empresário, professor, formado em Sistemas de Informação, Pós Graduado em Educação para o Ensino Superior e Palestrante em eventos de Tecnologia.

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